quinta-feira, 11 de abril de 2013

Os empresários não se reformam


Há lutas de sucessão, há guerra pelo poder e há impérios empresariais que se esboroam, pequenos negócios que se dissolvem no pasmo dos dias, tudo porque muitas vezes os empresários querem estar nas empresas até ao fim, como se fossem os capitães de um navio e preferissem afundar-se do que salvar alguma coisa. Mas a maior parte das vezes tem a ver com o facto de não conseguirem deixar de fazer

Quando os empresários diziam, como Nelson Quintas, “só me retiro dois anos depois de morrer”, ou José Manuel de Mello, “um empresário não tem reforma”, ou ainda Ingvar Kamprad, da Ikea, “ainda tenho muito trabalho pendente; não tenho tempo para morrer”, não estamos no domínio da jactância mas em pleno campo das motivações e do espírito empresarial. Como, de resto, já Schumpeter tinha intuído quando referiu que “A experiência ensina, todavia, que os empresários típicos se retiram da arena apenas quando e porque sua força está gasta e não se sentem mais à altura de sua tarefa”. Para este economista, a “profissão empresário” não era uma condição duradoura pois este não transferia a técnica para os herdeiros. Estes poderão herdar os activos e as qualidades pessoais mas “a função do empresário em si mesma não pode ser herdada”. E este é um dos principais dramas que marca as sagas empresariais de todos os tempos.