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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A formação dos empresários

É preciso que os empresários tenham a humildade de frequentarem os cursos: não adianta você mandar frequentar um curso aos seus subordinados, se depois você não compreender o que é que eles podem vir a fazer.

Alexandre Soares dos Santos

domingo, 2 de junho de 2013

Peritos e empresários


Não tenho nenhuma confiança nas decisões dos políticos ou dos especialistas em planeamento quando procuram identificar o que os empresários devem fazer ou quais devem ser as prioridades sectoriais. As economias mudam e muito depressa, não ficam à espera do tempo de reflexão dos peritos e menos ainda ficam presas à satisfação dos interesses que se formaram em fases anteriores da evolução da economia. As apostas estratégicas são feitas por quem tem talento empresarial e o que conta é que os centros de racionalidade empresarial possam ter uma localização nacional, possam definir as condições em que se faz a aplicação de capitais.

Jose Manuel de Mello

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Os empresários não se reformam


Há lutas de sucessão, há guerra pelo poder e há impérios empresariais que se esboroam, pequenos negócios que se dissolvem no pasmo dos dias, tudo porque muitas vezes os empresários querem estar nas empresas até ao fim, como se fossem os capitães de um navio e preferissem afundar-se do que salvar alguma coisa. Mas a maior parte das vezes tem a ver com o facto de não conseguirem deixar de fazer

Quando os empresários diziam, como Nelson Quintas, “só me retiro dois anos depois de morrer”, ou José Manuel de Mello, “um empresário não tem reforma”, ou ainda Ingvar Kamprad, da Ikea, “ainda tenho muito trabalho pendente; não tenho tempo para morrer”, não estamos no domínio da jactância mas em pleno campo das motivações e do espírito empresarial. Como, de resto, já Schumpeter tinha intuído quando referiu que “A experiência ensina, todavia, que os empresários típicos se retiram da arena apenas quando e porque sua força está gasta e não se sentem mais à altura de sua tarefa”. Para este economista, a “profissão empresário” não era uma condição duradoura pois este não transferia a técnica para os herdeiros. Estes poderão herdar os activos e as qualidades pessoais mas “a função do empresário em si mesma não pode ser herdada”. E este é um dos principais dramas que marca as sagas empresariais de todos os tempos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

II Parte O empresário português segundo Vasco Pulido Valente




II Parte
Os empresários portugueses não se dissociam do fundo cultural comum, e que é o seu campo de acção natural, em que o Estado predomina e impõe as suas regras, gerando por um lado o desejo de protecção, e por outro, o favorecimento do medo e a submissão. «O medo move a Confederação da Indústria Portuguesa como o último empregado do último serviço do mais miserável ministério. O santo medo do patrão que faz de Portugal este país pacífico e ordeiro que o mundo admira», escreveu Vasco Pulido Valente. Tudo isto faz dele um ser mítico, uma espécie de unicórnio: «Cavaco disse constantemente na campanha que a primeira preocupação dele seria ajudar, promover e proteger essa criatura mítica “o empresário moderno português”, que um dia nos tirará das garras da miséria». O drama nacional é que há uma associação virtuosa entre empresários e o desenvolvimento económico, tanto mais que este «depende muito pouco do Governo e quase tudo de empresários que não investem ou, quando investem, não investem como deviam. Como vai o Eng. Sócrates, por exemplo, arranjar empresários que não existem? O Presidente supunha que a sua presença bastaria para os fazer brotar como cogumelos».

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os empresários vistos pelos escritores III

Como assinalou Maria Filomena Mónica, os industriais (e porque não mesmo incluir os empresários enquanto banqueiros, comerciantes) são figuras menores na literatura portuguesa. São quase sempre retratados com feroz ironia, distanciado desprezo ou então, como acontecia com os neo-realistas, como o símbolo do mal.
O industrial que numa das obras de Eça de Queiróz, é Teodorico de A Relíquia, vai trabalhar para uma fábrica de fiação na Pampulha depois de ser expulso de casa pela tia. Torna-se industrial como castigo pela queda de um anjo que afinal era um demónio. Em Alves & Ca, o comércio é o cenário para um enredo de paixão e traição. E Eça conheceu, em casa de Ramalho Ortigão, o industrial João Burnay, que era o gestor da Empresa Industrial Portuguesa, e que dizia que o seu único inimigo pessoal era Hegel.
O primeiro romance em que a industrialização é o pano de fundo foi escrito por Abel Botelho. Em Amanhã surge um patrão da indústria têxtil. O filho dos Carvalho Meireles faz uma fábrica no jardim do palácio e explora sem uma ponta de vergonha e de comiseração os seus trabalhadores. Ramalho Ortigão usou As Farpas para demolir os industriais e os capitalistas. Escreveu em 1876: “nos chefes de indústria, ausência absoluta de espírito de classe, de amor da profissão. Uma vez enriquecido, o industrial procura tornar-se capitalista, homem de negócios, influente político, comendador, visconde, director de bancos, gerente de companhias. E considera a fábrica um desdouro, uma “mesalliance”, um ganha-pão subalterno, com a vantagem principal de representar em cada eleição um peso de duzentos votos, a troco dos quais ele procura colocar-se sob a protecção do Estado e sob o favor dos governos”.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Os empresários vistos pelos escritores II



Segundo Alcino Pedrosa em Os Empresários na Literatura Económica Portuguesa de Finais de Oitocentos, “nas imagens mas correntes, o empresário figura como o campeão dos valores propagados pela doutrina liberal, como o defensor da liberdade de iniciativa, da limitação da intervenção do Estado, como um indivíduo capaz de racionalmente ter uma conduta, que articule os seus interesses pessoais com o bem-estar geral, gerando riqueza. Enfim, a personificação por excelência do homo economicus”. Acrescenta, “a ideia dominante na literatura económica deste período é a do empresário como protagonista sem rival da racionalidade económica. Dela resulta uma imagem do empresário como homem de sucesso (ou bem sucedido), que constitui uma as características fundamentais da ideologia económica a Regeneração”.

Em O Livro do Desassossego, Fernando Pessoa é mais enigmático, e por isso talvez mais verdadeiro. Para ele, “o dinheiro é belo, porque é uma libertação” e “nunca se deve invejar a riqueza, senão platonicamente; a riqueza é liberdade”. Mas, por outro lado, Vicente Guedes, o heterónimo que habita este livro, confessa: “nunca tive dinheiro para poder ter tédio à vontade...”.