sábado, 23 de novembro de 2013

Outsystems- Uma empresa à conquista de dimensão

Surgiu no mercado com um produto disruptivo que a diferenciou da concorrência. Agora quer aumentar a visibilidade mundial da marca e ganhar mais clientes para se tornar numa mega-corporação.

A Outsystems foi uma ideia nasceu entre cinco engenheiros que, liderados por Paulo Rosado, lançaram este projecto em março de 2001. Pouco depois ficavam quatro empreendedores a que se associaram empresas de capital de risco como a Espírito Santo Ventures e a Portugal Ventures. Na base estava uma ideia disruptiva e que era a de colocar os sistemas de informação a mudar à velocidade com o que negócio das empresas se altera. Até então, os sistemas de informação não conseguiam acompanhar a velocidade de mudança dos negócios. Com o produto da Outsystems, os sistemas de informação passam a ser construídos para mudar com o negócio, a comprimir ciclos de desenvolvimento e a produtividade pode aumentar até 10 vezes mais. De uma forma muito gráfica e simples Paulo Rosado explica o que faz a empresa tecnológica: “temos uma plataforma de software Agile que vendemos a médias e grandes empresas e que lhe permite construir aplicações inovadoras e diferenciadoras, feitas à medida, que resolvem os seus problemas específicos e que são aplicações que não conseguem comprar a outros vendedores directamente da prateleira. Nós resolvemos um problema endémico em todo o mundo”.

Quando a Outsystems surgiu já tinha como horizonte a emergência da cloud, que no entanto, como reconhece Paulo Rosado, demorou mais tempo a implantar-se. Imaginaram que iria explodir dois anos depois mas só em 2009 se impôs. Logo a seguir ao seu nascimento, a Outsystems recebeu a chancela da Fortune que em 2003 a elegeu como uma das seis start-ups mais promissoras a nível mundial. E acertou, até porque Paulo Rosado não era um ilustre desconhecido pois em 1997 lançara a Intervento, que venderia, dois anos depois, à Altitude Software.

O Ferrari do seu mercado
A empresa distribui-se pelo mundo com escritórios em Atlanta e Sillicon Valley (EUA), Utrecht (Holanda), Londres, Singapura. Mas os centros de engenharia são em Linda-a-Velha, onde num amplo piso, com o ar cool e as salas de reuniões informais típicas das empresas tecnológicas, se distribuem cerca de 200 pessoas e Proença-a-Nova, onde habitam 30 engenheiros. A tecnológica portuguesa é uma das três empresas líderes neste mercado, onde começam a pulular as start-ups, mas Paulo Rosado gosta de repetir o que lhe disse um cliente: “a Outsystems é o Ferrari na tecnologia para o desenvolvimento empresarial”. O seu espectro de clientes vai de uma igreja evangélica no Texas até grandes empresas portuguesas, bancos no Norte da Europa ou o exército dos Estados Unidos. São mais de 350 clientes em 20 sectores de actividade, oriundos de 22 países e que utilizam as mais de 36 mil de plataformas, que, desde 2008, passaram a ser licenciadas. Consideram-se uma empresa de produto e, apesar de Paulo Rosado, não dar números da empresa (“em relação a facturação e lucro não fazemos comentários” limita-se a dizer como um mantra), estima-se que possa atingir este ano os 30 milhões de euros, depois de ter facturado cerca de 20 milhões em 2012, mais 47% do que em 2011. Os lucros passaram 728 mil euros para 2,6 milhões de euros no mesmo período.

Diz Paulo Rosado que a Outsystems tem um “modelo de negócio resistente às flutuações do mercado e da economia” e em que “não há limites neste mercado”. Na base está um sonho e uma oportunidade de “criar alguma coisa de grande, uma mega-corporação tecnológica de base portuguesa”, e que mostre a “qualidade da engenharia portuguesa”. O CEO diz que a empresa tem uma situação financeira “fortíssima” e que, mais do que fazer aquisições, pretende investir em “aumentar a visibilidade da nossa marca mundialmente” e angariar mais clientes novos. O capital da empresa reparte-se pelos quatro fundadores e colaboradores e, com posição minoritária, a Espírito Santo Ventures e a Portugal Ventures.

Texto publicado na edição do Jornal de Negócios no âmbito do Prémio Portugal PME a 30 de Outubro de 2013