quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O peso da dívida



Os capitais alheios continuam a ser a fonte principal de financiamento das empresas em Portugal. Num recente livro, EntreLeadership, Dave Ramsay defende que a pressa e a rapidez são dos maiores inimigos das empresas, sobretudo das pequenas empresas que querem crescer rapidamente, o que, mais tarde, cria problemas. O conselho de Dave Ramsay é “ir a pouco e pouco e fugir às dívidas” porque “nos negócios cometem-se erros e, se se deve dinheiro, estes tornam-se maiores”, e, quantas vezes, mortais. Em Portugal os dados financeiros das empresas, desde há longos anos, contrariam esta regra de bom senso. Na “Análise sectorial das sociedades não financeiras em Portugal 2010-2011”, estudo da Central de Balanços do Banco de Portugal publicado em abril de 2012, refere-se que em 2010 o financiamento das empresas por capitais próprios continuou diminuto, representava menos de 24% do activo na maioria das empresas. Nas cerca de 370 mil empresas, 25,3% tinham capitais próprios negativos, cerca de 25% recorriam exclusivamente a capitais alheios para financiar a sua actividade e apenas 25% apresentavam níveis de autonomia financeira superiores a 58%. A dívida financeira (empréstimos bancários, títulos de dívida e financiamentos de empresas do grupo) representava mais de dois terços do financiamento alheio, que continuava a ser a fonte principal de financiamento das empresas. A estas debilidades estruturais juntam-se actualmente as dificuldades em conseguir crédito, que está para a economia como o oxigénio para a vida, e em reforçar os seus capitais próprios com dinheiro dos accionistas. É me tremos prátciso mais fácil uma empresa ir buscar capital à banca pois a totalidade dos juros, comissões e taxas pagas são considerados custos do que ir á carteira dos accionistas. Estas situações criam problemas de gestão e têm impacto nos problemas de produtividade do país, que não se resolvem unicamente com um novo código laboral ou a abolição dos feriados. “Num país que está na União Europeia desde 1986 e em que o salário à hora de um trabalhador qualificado no sector industrial é de 10 euros, se um empresário não consegue ser competitivo com este preço é porque existem outras questões que precisam de ser abordadas”, dizia Albert Jaeger, da missão do FMI em Portugal, numa entrevista. Perante este quadro, não será através da imposição de uma qualquer moral calvinista ou trapista (segundo o antropólogo americano, David Graeber, em Debt: the First 5000 Years, em sânscrito, hebraico e aramaico, dívida, culpa e pecado são denominados com uma só palavra) que se resolverão estes problemas estruturais.