sábado, 6 de julho de 2013

Portugueses: executantes acima da média

Portugueses estão muito acima da média no mundo como executantes. Precisamos, sim, de mais organização, criticar menos, fazer mais, decidindo.

Rui Paiva, CEO da WeDo Technologies

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Dream team da inovação em 5 passos

Bill Fischer é professor do IMD na Suíça que tem alguns conselhos a dar à forma como se f Bill Fischer é professor do IMD na Suíça que tem alguns conselhos a dar à forma como se fazem equipas para projectos de inovação e cuja base é a criatividade, organização e capacidade de execução. O seu conselho de base é: “parta de uma boa equipe e dê uma ordem clara de mudar o mundo”.

I.“Escolha as melhores pessoas possíveis, não as melhores pessoas disponíveis”
Segundo Bill Fischer as competências necessárias para o projecto devem estar identificadas antes de pensar e iniciar a constituição da equipa e deve-se evitar o processo de candidatura para participar no projecto. Como diz Bill Fischer, “ao lançar mão de pessoas sem as habilidades necessárias, o projecto já falha antes mesmo de ter começado”, diz. Por isso aconselha que haja o maior diálogo possível para conhecer e compreender as habilidades e as competências do capital humano e para depois conhecer melhor a equipa.

II. “Quanto mais competências diferentes e variadas estiverem na equipa, mais eficiente será a equipa de um projecto inovador que propõe uma grande mudança”.
O primeiro passo é saber se vai pedir à equipa de inovação como objectivo estratégico um processo de inovação incremental ou disruptivo. Porque é este ponto de partida que vai condicionar a formação da equipa pois há competências e habilitações diferentes nos dois casos. Por exemplo, uma equipa pode ser excelente a desenvolver excelentes soluções e iniciativas mas não ser capaz de propor a revolução dos negócios da empresa. E Bill Fischer diz que “uma equipa harmoniosa acaba por funcionar melhor em mudanças incrementais”. Mas para um projecto disruptivo é vital a diversidade na equipa de projecto.

III. “Manter ideias em movimento é melhor que mantê-las apressadas.”
Uma questão, sempre complexa, decorre do equilíbrio entre o tempo de execução e o tempo para o fluxo de ideias e Bill Fischer aconselha a que se executem os projectos em vez de estar à espera da ideia perfeita e deixar passar o tempo sem aplicar as novas ideias. Porém, é fundamental manter as equipas de projecto de inovação sem o peso da ansiedade para que as ideias fluam e a equipa tenha a possibilidade de testar e apreender com os processos de aplicação das ideias geradas. E a pressa é inimiga da inovação e a falta de avaliação e controlo o pecado capital. Segundo Bill Fischer, é fundamental avaliar os projectos enquanto eles acontecem, corrigindo as rotas e aprendendo com os processos. “Quando o processo não é monitorizada, não se conseguem antecipar os problemas que podem surgir”.

IV. “As organizações não devem ter medo de partilhar as suas ideias.”
Os projectos de inovação não nascem em bunkers com equipas isoladas do mundo e do fragor da vida. Por isso as fronteiras das empresas devem estar abertas e ser porosas. “As empresas sempre procuram se resolver os seus problemas sozinhas, mas a conversa com pessoas do mesmo meio, que entendem de assuntos que se podem agregar aos projectos abre muitas possibilidades”, afirma Bill Fischer. Esta abertura ao exterior pode também contribuir para atrair talentos.

V. “Todos os detalhes do contexto devem ser avaliados.”
Depois, como já dizia o ditado, o Diabo está nos detalhes e quando se está a desenvolver processo de inovação os detalhes são cruciais. Por exemplo, o local de reuniões deve estimular o processo criativo e a espontaneidade de quem cria. “As ideias são o coração das inovações, mas geralmente não criamos a infra-estrutura necessária para elas fluírem.”

Com base em
Bárbara Ladeia, Como construir a equipe dos sonhos para a inovação, Exame-Brasil.


A crise mata boas empresas

“É inevitável que empresas mesmo “boas” venham a desaparecer”

 António de Sousa, 58 anos, é administrador da ECS Capital, de que foi um dos fundadores em 2006. Entre as empresas detidas pelos fundos geridos pela ECS, contam-se, entre outras, a Cifial, o grupo CS, a Artlant, a Move On, a More Textile (Coelima, António Almeida & Filhos e José Machado Almeida) e o Grupo Montalva, proprietário das marcas Izidoro, Damata, DIN, Intergados e Progado. Licenciado em Gestão pela Católica e doutorado na Wharton School, foi gestor do IPE, Banco Totta & Açores e presidente da Caixa Geral de Depósitos. Nas funções públicas passou pelas secretarias de Estado da Indústria, Comércio Externo e das Finanças, e foi governador do Banco de Portugal, de Junho de 1994 a Fevereiro de 2000.

Quais são, no seu entender, as principais características comuns às melhores empresas portuguesas?
As melhores empresas portuguesas têm em comum pelo menos as seguintes características: a) Gestão altamente profissionalizada; b) Capacidade de concorrer a nível internacional; c) Estratégia de desenvolvimento bem delineado

Qual é sua avaliação da qualidade da gestão das empresas portuguesas?
Nos últimos anos tem-se assistido a uma melhoria significativa da qualidade de gestão das empresas portuguesas nomeadamente com a necessidade de concorrerem internacionalmente. Infelizmente ainda há lacunas graves de profissionalização.

Quais são os principais obstáculos à competitividade das empresas portuguesas?
Os principais obstáculos à competitividade são para mim os custos de contexto que derivam de um sistema burocrático muito pesado – licenças, regulamentação excessiva e desadequada, sistema fiscal…
Realço ainda as dificuldades criadas pelo Estado, nas suas várias vertentes, enquanto mau pagador – desde os atrasos no reembolso de IVA, até ao pagamento atrasado de facturas - e a lentidão e imprevisibilidade da Justiça.
Em suma o grande obstáculo à competitividade das empresas portuguesas centra-se no mau funcionamento de Estado, nomeadamente devido à lentidão e imprevisibilidade.

Esta crise também fez desaparecer boas empresas?
Numa crise de dimensão da que vivemos é inevitável que empresas mesmo “boas” venham a desaparecer. Como exemplo aponto a fragilidade de capitais próprios que muitas vezes condenaram empresas que de outra forma tinham todas as características para ultrapassar a actual situação.

Publicado no Jornal de Negócios a 12 de junho de 2013

http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/premio_excellens_oeconomia/detalhe/e_inevitavel_que_empresas_mesmo_boas_venham_a_desaparecer.html

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Portugal dos empresários e dos gestores

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe ate ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nos...
Alexandre O’Neill

Portugal é tema dominante sobretudo desde que se instalou, a partir do início do novo milénio, a ideia de país crepuscular e em que o Estado é, ao mesmo tempo, entidade tentacular, regaço protector e causa de tantos males. Foram também feitas referências às nossas idiossincrasias… Belmiro de Azevedo refere que «em Portugal, o que é corrente é algumas pessoas mandarem e outras trabalharem, espírito que terá que desaparecer muito em breve». Mas há quem, com a experiência de viver várias vidas numa só, saiba antecipar o futuro, como José Manuel de Mello, que viu como a sombra da dívida se iria tornar um pesadelo. «Os empresários hoje em dia gerem dívida. Não há dinheiro para fazer nada. Há uma geração que tem a mão esquerda mais desenvolvida por causa dos subsídios que recebe de Bruxelas».
Há ainda quem tivesse olhado para as nossas fragilidades como bases para um novo horizonte, marcado pelo voluntarismo e um whisfull thinking. Henrique Neto que viu a oportunidade de um Portugal diferente no século xxi, dizendo que «isto de Portugal ser um país subdesenvolvido é óptimo, porque temos mais oportunidades do que os desenvolvidos. O Porter quando cá esteve disse: vocês perderam o séc. xx. E eu digo: óptimo, agora vamonos organizar para não perder o xxi. Com o xx não nos preocupamos. Não temos as infraestruturas típicas do séc. xx; podemos, por exemplo, passar à sociedade de informação com outra facilidade». Mas é rápido o desencanto.
Interessante é a hermenêutica da alma nacional com o primeiro traço a ser feito pelo judeu de origem polaca que vive repartido por Portugal e Brasil, André Jordan. «Os Portugueses não gostam de ouvir e de dizer não.» A pequenez e o paroquialismo do país são também merecedores de análise. António Murta, fundador da Enable, aconselha a que se proíbam «as empresas que só pensam em Portugal» porque, como explica o gestor Miguel Calado, «lá fora, quando se fecha uma porta, há sempre outras que se abrem. O problema é que em Portugal não existem tantas portas».
A organização é outro dos calcanhares de Aquiles referidos por estes práticos. António Raposo de Magalhães é vitriólico ao dizer que «os portugueses foram feitos no 8º dia da criação. Têm o dom da asneira, semelhante ao que tinha o D. Sebastião descrito por Oliveira Martins. Acabam sempre por abandalhar. Não têm a menor capacidade de organização. É verdade que também têm as correspondentes virtudes». Isto é reforçado por Américo Amorim que fez, no espaço de uma vida, uma das maiores fortunas portuguesas: «penso que o problema de Portugal não é tanto a falta de recursos, mas a falta de organização.»
O olhar mais económico e de longo alcance de João César das Neves, que estudando o fenómeno do crescimento económico consegue sobre- levar as qualidades. «O sucesso da economia nacional baseia se na flexibilidade, ligeireza, criatividade e improvisação, sobretudo, ante as dificuldades», defende o economista.
Para Américo Amorim, os portugueses são generosos mas insatisfeitos pois «querem aquilo que não têm e, depois, quando o têm, já não querem». Para o professor Adriano Freire, temos «enorme criatividade mas não temos disciplina», enquanto Francisco Vanzeller afirma que «sempre fomos comerciantes, investimos sempre no curtíssimo prazo».
O historiador José Mattoso aponta a forma centrípeta do Estado central – «o centralismo em Portugal é uma constante com uma força espantosa, que quase faz desaparecer o País» – que fez com que os portugueses se tenham dedicado mais a comercializar do que a produzir. Mas o empresário Manuel Vinhas explicava esta acentuação pela história: «o português e na sua feição económica, e esta determinada pela sua índole, predominantemente de acção comercial. Viajar, ser hábil no trato com homens diferentes, levar o que falta trazendo as novidades, negociar acordos, obter lucro rápido são característicos da nossa maneira através dos séculos. Em sentido diferente também nos caracterizamos por trabalho pouco constante e metódico, individualismo comprometedor de grandes organizações, pouco gosto pelo investimento de longo prazo e ausência de mentalidade a que se pode chamar industrial». Detectava ainda nos ciclos de riqueza e pobreza de Portugal «uma vocação para a ruína por oposição a vocação para o progresso que deve assentar numa linha de contínuo desenvolvimento».
Miguel Pais do Amaral, um raider mas também um empreendedor, costuma ironizar com o que ele chama de «lusitana competência» para se expulsar os mais empreendedores em cada época: «primeiro foram os judeus que acumulavam riqueza, conheciam o valor do dinheiro; depois as ordens religiosas que abundavam em organização e método ajudando a manter a ordem social; depois os ambiciosos trabalhadores da classe média empobrecida, forçados a emigrarem; e finalmente no pos-25 de Abril, primeiro com a fuga apressada dos empresários para fora do país, depois, a partir dos anos 80, com a sedimentação de relevantes talentos portugueses no exterior». Tal como todas as conclusões globalizantes e sintéticas, tem tanto de verdade como de exagero.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Pessoas

Se conseguir aproveitar o coração e a cabeça das pessoas tem tudo.

António Cardoso Pinto

10 ideias de gestão de Adolfo Roque (Revigrés)

1 Gestão e relações pessoais
“Porque não eram bem geridas, do meu ponto de vista. E depois as relações pessoais também interferem, e nem sempre se tomam as decisões adequadas, face aos constrangimentos pessoais. A empresa de construção ainda fez uma das torres do Restelo, mas quando estávamos a pensar vender acções para financiar a construção de apartamentos de luxo, rebentou o 25 de Abril e os títulos foram congelados. Nós, que pagávamos tudo a pronto, não tivemos quem nos emprestasse dinheiro. A seguir surgiu a hipótese da Revigrés”.

2 Vendas
“Numa segunda fase, veio a preocupação virada para as vendas. Embora esta nunca fosse muito forte, na medida que tivemos a felicidade de termos todos os produtos vendidos com uma lista de espera da ordem dos 3 meses, durante anos. O nosso produto, embora muito modesto face aos padrões de hoje, era o melhor que se fazia em Portugal. Logo aí começámos a criar nome, pela seriedade na forma de negociar. Eu sempre disse que “antes perder dinheiro a perder confiança, porque a confiança uma vez perdida dificilmente se recupera, e o dinheiro pode vir a recuperar-se”. Assim conseguimos criar uma grande fidelização nos clientes. Tive também uma grande preocupação em arranjar quadros de qualidade, porque não era fácil”.

3 Recursos humanos
No caso dos quadros superiores, sim. No caso dos quadros intermédios a selecção era feita através de empresas de recursos humanos e, na fase final, era feita por quadros meus. Os recursos humanos são fundamentais numa empresa. Havia um empresário norte-americano que dizia “que o único mérito que tive foi escolher para meus colaboradores homens mais inteligentes do que eu”. Isso é uma filosofia de gestão”.
“É sim. Pela experiência que tenho isso é fundamental. Costumo dizer que os bons recursos humanos são sempre baratos. Os fracos, às vezes, até de borla são caros. Os fracos estragam, os bons produzem”

4 Quadros de confiança
“Encontrar bons quadros não é tarefa fácil. E erra-se muitas vezes. E quando se erra é dramático. As coisas não andam com a fluidez com que deveriam andar. Muitas vezes cedi em ordenados, e pensei que tinha oferecido demais, mas depois verificava-se que valia a pena. Eu confio nas pessoas, e quando isso acontece, as coisas gerem-se bem, sem necessitar tanto da minha presença. Quando perdem a minha confiança, as coisas tornam-se difíceis”.

5 Indústria
“Senti-me feliz na indústria, a produzir. Tive sempre muitas visitas ministeriais, presidentes das República e de primeiros-ministros, indicadores do reconhecimento por parte das entidades oficiais do trabalho que foi desenvolvido na empresa”.

6 Máxima de vida como gestor
“Um empresário deve ler, ver e ouvir. Se não ler rapidamente se desactualiza. Se não vir, dificilmente interioriza o que lê. E é preciso ouvir porque muitas vezes, quando estamos direccionados para determinado problema, não há nada como ouvir as outras pessoas, auscultá-las no seu ponto de vista. Esta interacção é determinante. E tenho outra, que me foi transmitida pelo meu mestre, Professor Farinas de Almeida: “Ouvir todos e decidir sozinho”.

7 Sucessão e a reforma
“Considero que as pessoas vão melhorando com a idade em conhecimento, mas vão perdendo em energia e em capacidade de realização. Entendo também que essa energia se vá perdendo lentamente sem nos apercebermos disso. E há que ter a lucidez suficiente para perceber isso e abandonar a tempo, porque senão arrasta consigo as coisas que realizou. Segundo um economista americano que li há tempos, as pessoas deveriam começar a ganhar menos a partir de uma certa idade, porque produzem menos. E nós estamos numa economia competitiva, em que deveríamos ganhar por aquilo que produzimos. Embora, devesse haver uma compensação da parte do Estado. Era uma espécie de reforma progressiva, porque obrigar as pessoas a trabalhar até aos 70 anos, com ordenados elevados, é estar a prejudicar as empresas e a economia. Por isso penso que é necessário chegar a uma certa altura e cortar, dar uma nova vida à empresa. O ideal é contribuir com a sua experiência e não com a sua actividade, com o seu conselho e não com a sua acção”.

8 Erros
“Sou bastante intolerante com a falta de honestidade. Não gosto que se repitam erros. Zango-me terrivelmente”.

9 Decisão
“Nunca decidi sozinho, ouvia sempre os colaboradores. E tentei ir sempre de encontro à opinião deles. Porque é melhor seguir uma ideia menos boa de alguém que tem de a executar, do que seguir uma ideia extraordinária, em que os outros não acreditam”. “O arrependimento nunca fez parte do meu código de conduta. Está feito, está feito, e tenho de assumir as responsabilidades.

10 Qualidades de empresário
“Ter jeito para a matemática foi muito importante. Olhar para certas contas e ver com facilidade que não podiam estar certas, ajudou muito. Outra qualidade é o meu desejo de actualização permanente”.

Adolfo Roque nasceu em 1934. Fez a licenciatura em Engenharia de Minas, na Universidade do Porto. Passou pela Companhia de Diamantes de Angola, Dyrup, e em 1977 fundou a Revigrés com mais 11 sócios. Faleceu no dia 22 de Setembro de 2008.
Baseado no texto de Helena C. Peralta, O senhor Revigrés, Exame, dez 2008


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Estratégia, da fábrica à dança da chuva

Nunca estive à espera que um negócio me caísse nos braços para investir naquilo que me ‘cheirava’. Tinha um pressentimento que se estivesse equipado, conseguiria bons clientes. A minha regra sempre foi trazer os clientes aqui para verem a fábrica. Muitos estrangeiros que nunca tinham visitado Portugal ficaram admirados por encontrar empresas com este nível, sabida a imagem que temos lá fora.
Antonio Rodrigues. Simoldes

A melhor definição de estratégia que já ouvi foi: ‘a estratégia é como a dança da chuva – o objectivo não é fazer chover, é aprender a dançar’.

Antonio Mexia