quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

DIXIT Longo e curto prazo


Keynes exagerou quando disse que no longo prazo estamos todos mortos. Só tem futuro a longo prazo que souber gerir, em simultâneo, o curto prazo.
Peter Drucker
The Ecological Vision

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Aprender com o erro


Não queremos ganhar a 100%, o que tentamos o mais possível é não errar, mas a nossa expectativa é acertar 8 ou 9 em dez. Também se aprende muito com os erros, o que interessa é que rapidamente se veja o que é que correu mal e se corrija para o futuro.
António Horta Osório

In Filipe S. Fernandes, O Segredo Não É A Alma do Negócio, Matéria-Prima, Lisboa, 2012

Os empresários vistos pelos escritores vii

Alfredo da Silva e os escritores, Manuel Vinhas e Luiz Pacheco


Por sua vez, Alfredo da Silva, uns dos rutilantes empresários portugueses, não foi motivo para muitas obras literárias, perpassa mais nas memórias de alguns escritores. Joaquim Paço d`Arcos referencia-o nas suas  “Memórias” ao descrever o seu casamento, para o qual o dono da CUF foi convidado: «uma assistência numerosa, reunião mundana, fardas rútilas, casacas sóbrias, toilettes vistosas de senhoras. No fundo da capela o industrial Alfredo da Silva, sem resguardo  pela solenidade decorrente. E o som grave do órgão não abafava, inteiramente o metal da sua voz irreverente a baralhar negócios e maldizer». Aliás, foi em Alfredo da Silva que o escritor se iria inspirar para a personagem Costa Vidal, um industrial e banqueiro que surge na peça de teatro “O Cúmplice” e na série de romances que viriam a constituir a Crónica da Vida Lisboeta. Esta personagem tem «algo do grande lutador» e «sem a sua obesidade e sem a sua truculência (...) desempenha no mundo capitalista um papel semelhante e tem a fibra com que o dirigente da CUF construiu um império». De facto, segundo o escritor, Alfredo da Silva tinha um «feitio chicaneiro» que no entanto não apagava as suas «grandes qualidades de industrial dinâmico e empreendedor».
Como nos anúncios da focopiadoras, muitas vezes, a cópia suplanta o original, é uma  das forças do “kitsch”. José Gomes Ferreira dá nota da surpresa no seu diário, “Dias Comuns I - Passos Efémeros”, de súbito, o grande capitalista incorpora os traços da “charge” neo-realista. Escreve em nota de 4 de Junho de 1966: “Diante da Fábrica de  Tabaqueira, em Albarraque , os deuses do neocapitalismo triunfante ergueram uma estátua solene ao Capital de Sempre na forma de Alfredo da Silva . É o símbolo mais grosseiro que vi, até hoje, virado para o Sol: um homem empertigadamente gordo e grosso, de fraque, bengala na mão direita e charuto (sim, CHARUTO!) na mão esquerda. Uma autêntica caricatura de bronze insolente como que saída dos primeiros romances neo-realistas que, pelo visto, não são tão inventados como se nos afiguram agora, em pleno momento de idílio sórdido do neo-socialismo (desossado do marxismo) com o neocapitalismo...”. Está muita próxima da descrição do homem mais rico em A Floresta de Sophia de Mello Breyner: “este era um homem atarracado e feio com duas grossas bochechas de sapo que tremiam dos dois lados da cara. Toda a gente na cidade sabia que ele não se interessava pelo dinheiro”. 
Curiosa é a relação, mecenática, entre o empresário Manuel Vinhas e o escritor Luiz Pacheco, conhecido pela sua crónica falta de dinheiro. Como se escreve em “Mano Forte”, um recolha de cartas e postais de Luiz Pacheco, este refere que a edição a “Crítica de Circunstância” seria “paga pelo dr. Vinhas, da Portugália, cervejas”. Estávamos em dezembro de 1964. Sete anos depois, Luiz Pacheco dedicava-lhe a primeira edição dos seus “Exercícios de Estilo”. Em 1975, quando Manoel Vinhas tinha os seus bens nacionalizados e vivia no Brasil, Luiz Pacheco escreveu: “do mecenas Manoel Vinhas falo pelo que me toca. Durante aos, mais de dez, auxiliou-me em dinheiros, renda de casa pontualmente paga, bolsa de estudo em livros, máquina de escrever, a minha charrua, oferecida. Sem em conhecer pessoalmente, apenas alertado para a minha difícil situação económica por um Amigo comum”.

Espelho Os serviços públicos e a crise segundo Kenneth Rogoff


 Ideias e teorias

La bestia no quiere pasar hambre, texto de Kenneth Rogoff
Para Kenneth Rogoff os cidadãos continuam a querer ter e a receber os serviços proporcionados pelo Estado. Para este autor norte-americano limitar o papel do Estado também implica encontrar formas de incentivar a mudança e a inovação no sector público para que este se torne competitivo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pistas-Nívea vende mais sem Rihanna

Pistas de gestão prática

 

 

Stefan Heidenreich, gestor da Beiersdorf desde janeiro de 2012, considerou que Rihanna era demasiado sexy para ser imagem de marca da Nívea e procurou que a marca que representa 60% dos negócios da multinacional regressasse à origem. Deste projecto faziam parte um novo logotipo e uma nova embalagem inspiradas na tradicional. Com isto a empresa subir vendas, o que não acontecia desde 2008, e as acções subiram 41% num ano.
 

As motivações dos empresários



O que leva alguém a tornar-se empresário? E quando já tem uma fortuna?


O que leva alguém a querer ser empresário? As razões são múltiplas e variadas, mas seria difícil imaginar uma justificação como a que Rui Nabeiro deu no seu livro, feito em parceria com o alpinista João Garcia: “Quando resolvi criar a minha empresa, o meu objectivo era simples: ter uma vida mais descansada. Mas sucedeu o contrário.” As principais motivações dos empresários e empreendedores são o desejo de criar riqueza, a vontade de realizar a sua própria ideia e a ambição de ter a sua própria empresa, como concluía um estudo feito pela Kauffman Foundation of Entrepreneurship, em julho 2009, com o título A anatomia de um empreendedor, e que é da autoria de Vevik Wadhwa, Raj Aggarwal, Krisztina Holly e Alex Salkever. Em Portugal, a principal motivação para alguém se tornar empresário é a “perspectiva de ganhar mais dinheiro” (47,5%), seguindo-se a realização pessoal (“Desejo de novos desafios”) com 44,6% e a independência (“Desejo de ser o meu próprio patrão”) com 32,7%, segundo dados de um estudo do INE apresentado em maio de 2007. A intensidade desta vontade, ambição e autonomia para realizar e ganhar fazem com que, como dizia o empreendedor Nélson Quintas, o empresário esteja sempre a desempenhar as suas funções e “só deixa de ser empresário em dois momentos: quando dorme e quando morre”.

Mas o que é que leva alguém que já tem uma fortuna a continuar a investir e a trabalhar? A cobiça e a ganância podem ser uma explicação, tanta vez repetida com a acentuação dada por Michael Douglas no filme Wall Street: “A ganância é boa.” Mas há quem também veja na fortuna uma certa ética de responsabilidade, como é o caso de Belmiro de Azevedo, para quem “a posse do dinheiro cria a obrigação de o investir bem, de criar emprego. Eu sinto-me um feitor, um curador, desse dinheiro. O dinheiro não vai com as pessoas para nenhum sítio. E, à vezes, até complica, criando problemas de sucessão”. Há outros casos em que parece surgir o imperativo do trabalho como forma de realização. Certo dia, o pai de João Macedo Silva, que fundou o grupo RAR que hoje é detido em 90% pelo filho Nuno Macedo Silva, disse-lhe: “O menino é suficientemente rico para não precisar de trabalhar, mas se quiser trabalhar tem de ser a sério.”

Se o lucro é o principal móbil pessoal e a condição para a sobrevivência para a organização, um dos impulsos para a obra empresarial é também o apelo da posteridade. Que tem as suas astúcias. Há ironias na busca da eternidade, na obra que se deixa. Manuel Boullosa dizia que tudo o que fez, foi para “fazer um nome porque não era ninguém”. Mas da sua obra faz-se história, mas não sobreviveram muitas empresas que digam o seu nome no presente. Por sua vez, em 1792, Jerónimo Martins, galego como Manuel Boullosa, só quis fazer uma boa loja para os seus clientes, e o seu nome perdura há mais de 200 anos no mundo dos negócios.

Filipe S. Fernandes

Decisão solitária

 

Quando se decide sozinho decide-se mais depressa mas também se tem mais probabilidades de errar.
Fernando Martorell
In Filipe S. Fernandes, O Segredo Não É A Alma do Negócio, Matéria-Prima, Lisboa, 2012