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terça-feira, 18 de junho de 2013

Mafia e negócios

A Mafia deve ser considerada como uma criminalidade organizada que procura infiltra-se cada vez mais nos gânglios do poder, da economia, da administração pública, do sistema financeiro e produtivo. Portanto, não há dúvida de tudo aquilo que ajude à transparência, à simplificação da burocracia, impede também os acordos subterrâneos, as infiltrações nos “negócios” que constituem o verdadeiro poder da Mafia. Porque é preciso não esquecer que o principal fim da Mafia é o lucro. E procura-o atingir de qualquer modo. E é preciso sublinhar que a utilização dos lucros na actividade lícita perturba a economia mundial criando uma concorrência desleal, que distorce o mercado.

Pietro Grasso, juiz anti-Mafia e actual presidente do Senado de Itália

sábado, 1 de junho de 2013

Negócios e diversão

As ideias criativas florescem melhor num lugar que preserva o espírito de divertimento. Ninguém está nos negócios por diversão, mas isto não significa que não possa haver diversão nos negócios.
Leo Burnett, publicitário
Não é que eu queira o dinheiro por si mesmo. Trabalho mais pela diversão em ganhá-lo e vê-lo crescer.

Warren Buffet, empresário

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A gestão e os provérbios

O mundo pode ser lido, visto, interpretado e escutado como se fosse um longo encadeamento de narrativas em que cada um se envolve com a sua história, faz a sua diegese, inventa o seu conto, canta a sua poesia. Como escrevia o Financial Times, “o storytelling é uma ferramenta fundamental de gestão”, pelo que já adquiriu as denominações de organizational storytelling ou narrative knowledge.
Os negócios são na sua prática, muitas vezes, um hino ao sensocomum e, sobretudo, ao bom senso. Dos tesouros existentes mais saqueados e mais utilizados pelos gestores e pelos empresários para fortalecer a sua retórica e capacidade de persuasão, destacam-se os provérbios. Sem entrar em qualquer das prodigiosas teorias em volta dos provérbios, pode dizerse que são condensações de saber de experiência feito, ou, como diria a escritora Maria Gabriela Llansol, “fulgores”, de fácil e rápida – dois adjectivos muito queridos nos negócios – apreensão. Um dos lemas dos modernizadores industriais dos anos 70 em Portugal era o dos três bes: Bom, Bonito e Barato ou mais recentemente o que lançou o Euromilhões: “é fácil, é barato e dá milhões”.
Quantas vezes, para se explicar a estratégia de diversificação de uma empresa, de um grupo ou para justificar as formas de investimento na Bolsa não se usa o provérbio “não se deve colocar os ovos no mesmo cesto”? (embora a versão francesa fosse mais apropriada: “gestionnaie avisé ne hasarde pas tout son bien dans une seule affaire”). Segundo o Dicionário de Provérbios, há muitas variações em português: “não aposte num cavalo só”, “não arrisque tudo de uma vez só”, “não ponhas todos os ovos debaixo da mesma galinha”. Mas, como quase sempre acontece no saber popular, quando parecia que se tinha chegado a uma lei geral e universal na prática dos negócios, eis que Edgar Bronfman Jr. apresenta uma outra tese: “colocar os ovos todos no mesmo cesto da-nos força negocial”. A ideia pode ser boa, mas o teórico não tem um currículo de sucesso esmagador. O herdeiro dos Bronfman vendeu a Du Pont para comprar a Seagram e depois a Universal e, finalmente, juntou tudo para originar a VivendiUniversal (que vendeu à Seagram) para fazer um dos maiores flops de que há memória. Mas talvez Bronfman esteja apenas a fazer jus ao provérbio “para lograr o proveito, há-de se sofrer o dano”.
Se os provérbios têm os seus aliciantes, contêm também em si as suas próprias limitações. São uma explicação imediata, comunicam com facilidade mas carecem do poder de atracção e motivação de uma telenovela. Têm a energia do slogan mas não fazem sonhar como os contos de fadas, de bruxas, de duendes. Estes são mais ricos, mais prodigiosos e encerram sempre uma moral que mais não é do que uma lição para a vida. Uma lição que pode ser seguida ou rompida. É a imaginação a guiar os passos. Como escreveu o académico Luiz Jean Lauand, “a realidade vivida transforma-se em experiência e esta condensase em provérbio que, por sua vez, volta para a realidade, iluminandoa e permitindo a sua leitura”.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

DIXIT Golfe e negócios


Um saco de golfe é tão eficiente como uma mala de negócios. Depende apenas das pessoas com quem jogamos
António Neto da Silva

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

É mais fácil produzir do que vender



Miguel Pais do Amaral é um dos pioneiros em Portugal do denominado private equity e, portanto, os seus princípios empresariais resultam de um outro tipo de influências. Diz que vende os negócios quando considera que estes perderam o potencial de crescimento ou que há outros mais atractivos desse ponto de vista. Confessa: “eu não estou nesta vida por razões sentimentais. Estou aqui com um objectivo: criação de valor. Quando se está num sector que cresce, óptimo; quando o sector deixa de crescer, é sair para entrar noutro”. No entanto, não há um pensamento elaborado sobre esta arte de bem vender, apesar de haver quem defenda que o paradigma histórico de gestão portuguesa seja mais a do “comerciante” do que a do gestor ou empreendedor. Assim, o nosso arquétipo empresarial seria o inspirado na personagem do Tintin de Hergé, Oliveira da Figueira, que surgiu em Os Charutos do Faraó e Tintim no País do Ouro Negro. O que nos daria excelentes qualificações para vender e não seria tão mau como parece nos tempos que correm. Mas é uma arte bem mais difícil de dominar do que parece. Como diz Belmiro de Azevedo é mais fácil produzir do que vender.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A hegemonia do discurso dos negócios


Facto interessante é a disseminação do discurso dos negócios aos universos políticos, culturais e sociais.
A linguagem é um bom guia do espírito do tempo que passa, tanto no que revela como no que oculta. Funciona como espelho e manifestação do inconsciente. Como é o caso hoje da disseminação da linguagem dos negócios aos universos políticos, culturais, pessoais e sociais, o que também se explica pela profunda e complexa crise que atravessamos.
Este discurso que os protagonistas dos negócios têm sobre a realidade, a sua mundividência, desenha uma nova relação de forças e mostra, com grande evidência, o que o semiólogo Tzvetan Todorov escreveu: “tirania neoliberal caracteriza-se por uma concepção de a economia como uma actividade inteiramente separada do social, que deve escapar ao controlo político”.
De facto, os últimos tempos têm sido férteis em expressões que revelam que há um universo económico-financeiro que se permite olhar para o espaço em volta e ignorar a realidade social mais crua como, por exemplo, o desemprego. Ouça-se António Viana Baptista, segundo o Jornal de Negócios (19-3-2012), sobre a entrada de investimentos estrangeiros: “Não vão criar muitos empregos. Vamos viver um período de desemprego elevado durante muito tempo, e isso não quer dizer que não se tenha êxito”. O responsável pelo Crédit Suisse ibérico deu o exemplo da Irlanda que tem uma taxa de desemprego alta, mas criou “um sistema fiscal bastante melhor”.
Há mais exemplos desta linguagem em que o negócio e o resultado económico parecem estar acima de qualquer outro interesse, como se o facto de o investimento ser privado o ungisse de bondade e, por sua vez, o interesse público (que cabe ao Estado defender) fosse uma coisa nefasta. Muitas vezes, este discurso surge com uma rudeza de linguagem que parece inibir qualquer pensamento crítico e alternativo. Escute-se Isabel Vaz, CEO da Espírito Santo Saúde, numa citação retirada do Negócios Online de 16-3-2012: “Não precisamos de nada do Estado, não preciso que o Estado me dê doentes. Só preciso que o Estado não me chateie”. Sobre este à vontade na linguagem refira-se a expressão de António Borges: “Há uns investidores interessados em investir em Portugal e investir umas 'massas' valentes”. Mas não é a só aparência e a aspereza de discurso directo – a chamada linguagem terra a terra- que está em causa porque não se trata de responder a uma questão prática. A leitura que a linguagem dos negócios faz da realidade e o modo como se sobrepõe enquanto modelo explicativo a todos os outros discursos, faz dela uma linguagem hegemónica e dominante.
Filipe S. Fernandes

sábado, 29 de dezembro de 2012

Os empresários vistos pelos escritores I


O ponto de partida em Llansol e Garrett


Quando Urbano Tavares Rodrigues escreveu O Adeus À Brisa não está a referir-se obviamente às performances da empresa concessionária de auto-estradas, cujo acrónimo Brisa pertence mais ao fundador da empresa, Jorge de Brito, do que a qualquer romance ou fluxo de ar ameno. Mas quando se escreve: “já reparou na afinidade entre estragos e estrategos?”, como o faz Maria Gabriela Llansol em O Senhor dos Herbais podemos estar a falar de vários mundos desde o militar até ao dos negócios.

Ao longo deste tempo, enquanto instigadores da actividade produtiva, têm sido retratados, pelos escritores por exemplo, um pouco ao modo como os Gregos viam o comércio. Este era apenas ganância e, portanto, uma actividade desprovida de Sentido. O distanciamento com que este universo da vida é apreendido radica em algumas das suas leis, regras e máximas. Como refere a filósofa Hanna Arendt, “no domínio comercial a divisa ““negócios são negócios” já contém em si mesma a desonestidade do especulador sem escrúpulos”.

O dinheiro sempre foi visto com ambivalência. O poeta e dramaturgo Almeida Garrett em As Viagens na Minha Terra perguntava “Quantas almas é preciso dar ao diabo e quantos corpos se têm de entregar no cemitério para fazer um rico neste mundo” “Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?” “cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis” e Camilo Castelo Branco, em Onde está a felicidade?, respondia que a felicidade estava “debaixo de uma tábua onde se encontram cento e cinquenta contos de réis”. O que poderia ter sido mais uma frase para a campanha do finado e falido Banco Privado. Ou então sugerem-se os versos de João de Deus, em Campo de Flores: “O dinheiro é tão bonito,/tão bonito, o maganão!/Tem tanta graça, o maldito,/Tem tanto chiste, o ladrão!/O falar, fala de um modo.../ Todo ele, aquele todo.../E elas acham-no tão guapo!/Velhinha ou moça que veja, / Por mais esquiva que seja,/Tlim!/ Papo”.
Filipe S. Fernandes