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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Empresário e empreendedor

A minha componente de empreendedor pesa mais do que a de empresário. As duas coisas bem feitas acabam por estar interligadas e por terem ambas sucesso. Normalmente um empresário não gosta nada de perder, eu também não gosto de perder, mas não há nenhum empreendedor que diz que nunca perdeu. É preciso aceitar o princípio de que se perde.
Belmiro de Azevedo

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Empresário e empreendedor

A minha componente de empreendedor pesa mais do que a de empresário. As duas coisas bem feitas acabam por estar interligadas e por terem ambas sucesso. Normalmente um empresário não gosta nada de perder, eu também não gosto de perder, mas não há nenhum empreendedor que diz que nunca perdeu. É preciso aceitar o princípio de que se perde.

Belmiro de Azevedo

terça-feira, 2 de julho de 2013

10 ideias de gestão de Adolfo Roque (Revigrés)

1 Gestão e relações pessoais
“Porque não eram bem geridas, do meu ponto de vista. E depois as relações pessoais também interferem, e nem sempre se tomam as decisões adequadas, face aos constrangimentos pessoais. A empresa de construção ainda fez uma das torres do Restelo, mas quando estávamos a pensar vender acções para financiar a construção de apartamentos de luxo, rebentou o 25 de Abril e os títulos foram congelados. Nós, que pagávamos tudo a pronto, não tivemos quem nos emprestasse dinheiro. A seguir surgiu a hipótese da Revigrés”.

2 Vendas
“Numa segunda fase, veio a preocupação virada para as vendas. Embora esta nunca fosse muito forte, na medida que tivemos a felicidade de termos todos os produtos vendidos com uma lista de espera da ordem dos 3 meses, durante anos. O nosso produto, embora muito modesto face aos padrões de hoje, era o melhor que se fazia em Portugal. Logo aí começámos a criar nome, pela seriedade na forma de negociar. Eu sempre disse que “antes perder dinheiro a perder confiança, porque a confiança uma vez perdida dificilmente se recupera, e o dinheiro pode vir a recuperar-se”. Assim conseguimos criar uma grande fidelização nos clientes. Tive também uma grande preocupação em arranjar quadros de qualidade, porque não era fácil”.

3 Recursos humanos
No caso dos quadros superiores, sim. No caso dos quadros intermédios a selecção era feita através de empresas de recursos humanos e, na fase final, era feita por quadros meus. Os recursos humanos são fundamentais numa empresa. Havia um empresário norte-americano que dizia “que o único mérito que tive foi escolher para meus colaboradores homens mais inteligentes do que eu”. Isso é uma filosofia de gestão”.
“É sim. Pela experiência que tenho isso é fundamental. Costumo dizer que os bons recursos humanos são sempre baratos. Os fracos, às vezes, até de borla são caros. Os fracos estragam, os bons produzem”

4 Quadros de confiança
“Encontrar bons quadros não é tarefa fácil. E erra-se muitas vezes. E quando se erra é dramático. As coisas não andam com a fluidez com que deveriam andar. Muitas vezes cedi em ordenados, e pensei que tinha oferecido demais, mas depois verificava-se que valia a pena. Eu confio nas pessoas, e quando isso acontece, as coisas gerem-se bem, sem necessitar tanto da minha presença. Quando perdem a minha confiança, as coisas tornam-se difíceis”.

5 Indústria
“Senti-me feliz na indústria, a produzir. Tive sempre muitas visitas ministeriais, presidentes das República e de primeiros-ministros, indicadores do reconhecimento por parte das entidades oficiais do trabalho que foi desenvolvido na empresa”.

6 Máxima de vida como gestor
“Um empresário deve ler, ver e ouvir. Se não ler rapidamente se desactualiza. Se não vir, dificilmente interioriza o que lê. E é preciso ouvir porque muitas vezes, quando estamos direccionados para determinado problema, não há nada como ouvir as outras pessoas, auscultá-las no seu ponto de vista. Esta interacção é determinante. E tenho outra, que me foi transmitida pelo meu mestre, Professor Farinas de Almeida: “Ouvir todos e decidir sozinho”.

7 Sucessão e a reforma
“Considero que as pessoas vão melhorando com a idade em conhecimento, mas vão perdendo em energia e em capacidade de realização. Entendo também que essa energia se vá perdendo lentamente sem nos apercebermos disso. E há que ter a lucidez suficiente para perceber isso e abandonar a tempo, porque senão arrasta consigo as coisas que realizou. Segundo um economista americano que li há tempos, as pessoas deveriam começar a ganhar menos a partir de uma certa idade, porque produzem menos. E nós estamos numa economia competitiva, em que deveríamos ganhar por aquilo que produzimos. Embora, devesse haver uma compensação da parte do Estado. Era uma espécie de reforma progressiva, porque obrigar as pessoas a trabalhar até aos 70 anos, com ordenados elevados, é estar a prejudicar as empresas e a economia. Por isso penso que é necessário chegar a uma certa altura e cortar, dar uma nova vida à empresa. O ideal é contribuir com a sua experiência e não com a sua actividade, com o seu conselho e não com a sua acção”.

8 Erros
“Sou bastante intolerante com a falta de honestidade. Não gosto que se repitam erros. Zango-me terrivelmente”.

9 Decisão
“Nunca decidi sozinho, ouvia sempre os colaboradores. E tentei ir sempre de encontro à opinião deles. Porque é melhor seguir uma ideia menos boa de alguém que tem de a executar, do que seguir uma ideia extraordinária, em que os outros não acreditam”. “O arrependimento nunca fez parte do meu código de conduta. Está feito, está feito, e tenho de assumir as responsabilidades.

10 Qualidades de empresário
“Ter jeito para a matemática foi muito importante. Olhar para certas contas e ver com facilidade que não podiam estar certas, ajudou muito. Outra qualidade é o meu desejo de actualização permanente”.

Adolfo Roque nasceu em 1934. Fez a licenciatura em Engenharia de Minas, na Universidade do Porto. Passou pela Companhia de Diamantes de Angola, Dyrup, e em 1977 fundou a Revigrés com mais 11 sócios. Faleceu no dia 22 de Setembro de 2008.
Baseado no texto de Helena C. Peralta, O senhor Revigrés, Exame, dez 2008


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Parte III Os empresários segundo Vasco Pulido Valente


Parte III
Nesta mundivisão de Vasco Pulido Vantes sobre os empresários portugueses há ainda dois outros temas recorrentes. Primeiro, a relação dos empresários com o Estado: “quando as coisas correm bem, os senhores empresários portugueses protestam persistentemente contra a intrusão do Estado nos seus negócios. Quando as coisas correm mal – como qualquer operário, “artista” ou funcionário público – os senhores empresários portugueses pedem ao Estado a sua salvação. Nisto, os senhores empresários portugueses são mesmo portugueses. Não se limitam a exigências razoáveis (o alívio da burocracia, a reforma fiscal ou a reforma das leis laborais), esperam da suposta omnipotência do poder uma intervenção decisiva. Desde o seu trémulo princípio que o capitalismo português, como nenhum outro na Europa, viveu da protecção do Estado, de que recebeu privilégios sem fim. Não vale a pena contar essa longa história em que o PREC foi a excepção e não a regra. Infelizmente parece que o hábito ficou”.
Em segundo lugar, surge a inveja, a irritação e a concomitante caça aos políticos, aos ricos e aos empresários. “Era fatal que o empobrecimento do país (mais rápido do que previa a ingenuidade do cidadão distraído) provocasse uma ou outra forma de caça às bruxas das muitas que a cultura indígena costuma produzir. Os políticos costumam servir de primeiro alvo: porque usam o poder (que se imagina enorme) em seu próprio benefício e porque exploram e desprezam o povo. Os ricos (mesmo sem dinheiro) são o segundo alvo, sobretudo se andaram na política, porque se fizeram fatalmente à custa da pobreza do próximo. E, em versões mais sofisticadas, também aparece, como terceiro alvo, o horrível empresário português, que vive da protecção e do favor do Estado, foge do risco e não cria verdadeira riqueza. Dantes também se perorava muito contra os funcionários públicos, que hoje, protegidos pelo número, gozam de uma certa imunidade”.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O empresário português segundo Vasco Pulido Valente I



 Nos seus textos de opinião, o historiador Vasco Pulido Valente utiliza a sua visão de longo prazo e o conhecimento adquirido por ofício para registar, às vezes, como se fosse um antropólogo cultural, a visão social, política, histórica, axiológica e cultural do empresário. Mais do que a sua opinião, estas reflexões funcionam como um jogo de espelhos. Parte do pressuposto de que no fundo cultural comum de Portugal predominam ainda os valores de cultura camponesa pobre: “falido, estagnado e arcaico, Portugal precisa que o levem à força e à má cara para o mundo real, que os portugueses detestam. Os valores de uma cultura camponesa pobre, como a nossa, são a segurança e a rotina. Nada mais contrário ao que nos propõem: a iniciativa, a competição, o risco”. Num outro texto, reforça e invoca a ausência de uma revolução industrial que assim preservou: “uma cultura camponesa, ainda hoje visível no típico empresário indígena, ou, por exemplo, em hábitos quase universais, como o de ignorar o moderno mecanismo chamado “relógio”.” Por isso não surpreende que “como não temos empresários, ou os que há são poucos e maus, é difícil que comecem a aparecer grandes quantidades de empresários bons”.
Filipe S. Fernandes

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

As motivações dos empresários



O que leva alguém a tornar-se empresário? E quando já tem uma fortuna?


O que leva alguém a querer ser empresário? As razões são múltiplas e variadas, mas seria difícil imaginar uma justificação como a que Rui Nabeiro deu no seu livro, feito em parceria com o alpinista João Garcia: “Quando resolvi criar a minha empresa, o meu objectivo era simples: ter uma vida mais descansada. Mas sucedeu o contrário.” As principais motivações dos empresários e empreendedores são o desejo de criar riqueza, a vontade de realizar a sua própria ideia e a ambição de ter a sua própria empresa, como concluía um estudo feito pela Kauffman Foundation of Entrepreneurship, em julho 2009, com o título A anatomia de um empreendedor, e que é da autoria de Vevik Wadhwa, Raj Aggarwal, Krisztina Holly e Alex Salkever. Em Portugal, a principal motivação para alguém se tornar empresário é a “perspectiva de ganhar mais dinheiro” (47,5%), seguindo-se a realização pessoal (“Desejo de novos desafios”) com 44,6% e a independência (“Desejo de ser o meu próprio patrão”) com 32,7%, segundo dados de um estudo do INE apresentado em maio de 2007. A intensidade desta vontade, ambição e autonomia para realizar e ganhar fazem com que, como dizia o empreendedor Nélson Quintas, o empresário esteja sempre a desempenhar as suas funções e “só deixa de ser empresário em dois momentos: quando dorme e quando morre”.

Mas o que é que leva alguém que já tem uma fortuna a continuar a investir e a trabalhar? A cobiça e a ganância podem ser uma explicação, tanta vez repetida com a acentuação dada por Michael Douglas no filme Wall Street: “A ganância é boa.” Mas há quem também veja na fortuna uma certa ética de responsabilidade, como é o caso de Belmiro de Azevedo, para quem “a posse do dinheiro cria a obrigação de o investir bem, de criar emprego. Eu sinto-me um feitor, um curador, desse dinheiro. O dinheiro não vai com as pessoas para nenhum sítio. E, à vezes, até complica, criando problemas de sucessão”. Há outros casos em que parece surgir o imperativo do trabalho como forma de realização. Certo dia, o pai de João Macedo Silva, que fundou o grupo RAR que hoje é detido em 90% pelo filho Nuno Macedo Silva, disse-lhe: “O menino é suficientemente rico para não precisar de trabalhar, mas se quiser trabalhar tem de ser a sério.”

Se o lucro é o principal móbil pessoal e a condição para a sobrevivência para a organização, um dos impulsos para a obra empresarial é também o apelo da posteridade. Que tem as suas astúcias. Há ironias na busca da eternidade, na obra que se deixa. Manuel Boullosa dizia que tudo o que fez, foi para “fazer um nome porque não era ninguém”. Mas da sua obra faz-se história, mas não sobreviveram muitas empresas que digam o seu nome no presente. Por sua vez, em 1792, Jerónimo Martins, galego como Manuel Boullosa, só quis fazer uma boa loja para os seus clientes, e o seu nome perdura há mais de 200 anos no mundo dos negócios.

Filipe S. Fernandes

sábado, 29 de dezembro de 2012

O anátema do comerciante


A figura do empresário é central nos últimos dois séculos



O historiador José Mattoso defende uma tese de que é a forma centrípeta do Estado central – “o centralismo em Portugal é uma constante com uma força espantosa, que quase faz desaparecer o País” - que faz com que os portugueses se tenham dedicado mais a comerciar do que a produzir. Já disse que Eça de Queiróz, quando nos Maias retratou a sociedade portuguesa do último quartel do século passado, escolheu três gerações de fidalgos arruinados, enquanto Thomas Mann, descendente de um grande negociante, escolheu os armadores Buddenbrooks, comerciantes de porta aberta.

No entanto, a história empresarial portuguesa, sem contrariar totalmente estas teses, não deixa de mostrar obras de grande arrojo, visão, vontade. Serão poucas e escassas, com excepção da epopeia das Descobertas mas que não deixou de ser sobretudo uma gigantesca operação comercial e logística. Claro que, como dizia Brecht, não foi o Imperador que fez a Muralha da China. Por outro lado, como observa o historiador E. J. Hobsbawn, “o capitalismo não serve para realizar qualquer particular selecção de produto mas sim para fazer dinheiro”.

A figura do empresário, mas suas múltiplas constelações, encarnações e figurações, é uma figura central dos dois últimos séculos. Ao longo deste tempo, enquanto instigadores da actividade produtiva, serem vistos um pouco ao modo de como os Gregos viam o comércio; era apenas ganância e, portanto, uma actividade desprovida de Sentido. Mas na América dos anos 40 já Max Horkheimer detectava os sinais de empresários como os novos heróis e como parte do star-system da sociedade de comunicação.
Filipe S. Fernandes